7 de outubro de 2010
Que horas eram antes do mundo ser mundo?...
Era esta a pergunta que rondava envolto em nébula minha mente, em sem atinar com resposta coerente, abri as janelas em noite sombria, quase vitoriana, e saltei no abismo de um mundo que está. Está, pois o ser nada é!
Vaguei pelo escuro, sob a cortina funesta e toldada de névoa, quase britânica, e fumaça de charuto. E em cada esquina havia um Tempo, tão real, personificado, com grande ira saltando-lhe em face e em cada mão um machado cortando o Espaço e fazendo rolar as cabeças dos menos desavisados.
Abriu-se, então, uma porta cinzenta e no lugar apertado, boteco de esquina, adentrei e me deparei com a Solidão num canto bebendo um Whisky puro. Na mesa de centro jogavam um carteado a Guerra, a Justiça e a Ilusão.
27 de setembro de 2010
Pensamos que existimos ou existimos porque existimos? Se pensarmos que pensamos que existimos, na verdade não existiremos, subsistiremos como outros antes de nós subsistiram e nós sequer sabemos, pois como foram meros fragmentos, ou nem isto, não temos conhecimento de sua real existência, desconhecendo seus nomes, suas faces, seus pensamentos. E assim, isso seria o pleno desconhecimento e a plena inexistência.
Por outro lado, se existimos porque pensamos, o pensamento é a própria existência, assim nada existe senão o pensamento. Por estas sendas vemos na historia que sabemos apenas da existência do pensamento. Conhecemos o pensamento de Sócrates, Rousseau, Hobbes e Locke, mas por outro lado desconhecemos a face existencial de fato destes, o lado negro que quando estamos vivos os mais próximos conhecem, as preferências do cotidiano, a forma de olhar por sobre as folhas do outono, por exemplo.
11 de setembro de 2010
As pessoas nunca deveriam nascer, este é o delito mor do ser humano, ou pelo menos não deveriam nascer nestes tempos modernos.
Hoje vivemos a era do politicamente correto, que de correto é só o termo, nos tornamos frios, calados, cínicos, dissimulados. Evitamos termos pelo temor do preconceito, gerando mais do mesmo, pois o fato de utilizar um termo considerado pejorativo poderá ser até mesmo carinhoso. Pior que isso são os atos que cometemos, o cinismo nos corrói!
Vivemos a era do egoísmo, tão forte se faz presente, que nos esquecemos dos demais entes do mundo ao redor. Pensamos demasiadamente no “eu”. “Eu fiz...”; “Eu falei...”; “Eu tenho...”. A maior pena é termos esquecido o único “eu” que realmente importa: “Eu sou”.
1 de setembro de 2010
Um dos maiores dilemas de quando se começa a pensar em demasia é a certeza que se origina do pensamento, certeza essa que agimos pouco em face das atrocidades que estão mais próximas, tão próximas que teimamos em não enxergar, por que nos amarra a venda negra, nos cegando, prende um nó na garganta ao ver o asqueroso mundo moderno, e isso nos cala, e aos poucos também nos torna surdos aos gritos de uma nação que já moribunda teima em sobreviver mais um dia. Aí surge o mais desesperante fator, nossa ignorância e nossa inércia. No mundo contemporâneo há uma forma pré-moldada onde todos os “pseudo-cidadãos” devem se encaixar, ainda que não se encaixem, ainda que relutem contra as barbáries dessa sociedade “civilizada” que age de forma bárbara, no pior sentido da expressão.
É degradante o show dramatúrgico de qualidade questionável promovido pelo Horário Eleitoral Gratuito, vemos uma salada mista de frutas e palhaços que pensam ter algum conhecimento jurídico para criar e revogar as leis que assegurarão nossos direitos e engolimos a seco um espetáculo de promessas juridicamente impossíveis e a boa e velha mostra dos milagres operados pelos candidatos, boas e velhas mentiras, mas sem a qualidade das mentiras de antigamente, quando havia tanta convicção nas palavras destes que nós, meros seres pré-moldados, quase acreditávamos.
11 de agosto de 2010
E eis que um dia nasceu o Tempo, aquém do próprio tempo que se faz em mente, não um Khronos mitificado, nem se sabe ao certo o que era, mas dividia as eras, não a Hera, do panteão, nem mesmo os séculos, talvez estes nem existissem, eram apenas fragmentos, grãos de areia cinzentos, pedaços de uma recordação.
E tanto esforço vão, tantos ecos e vácuos, tamanha sua solidão! E se desdobrou tanto, viveu de riso e de pranto, em sua soberba inebriado, já pálido, tíbio, cansado, renasceu de si mesmo em Espaço. Não o espaço comensurável, medida de distância, ou par, era apenas espaço.
Eram, com efeito, dois díspares, duas faíscas de um mesmo fogo, mesma alma perdida, vagando loua em tempo de tempo algum, em espaço de espaço nenhum.
10 de agosto de 2010
É fato que espectro maior que o Estado não há e, para comprovarmos tal fato, basta mirá-lo por diversos prismas, que não os vendidos pelo próprio Estado, ou os diversos braços do mesmo, pois, este “ente” avassalador se faz presente em cada canto do vosso pensamento, por tal motivo são veredas assaz escarpadas as que pretendo neste tratar, pois, a questão feal nesta linha de pensamento é: onde o Estado não influi ou influiu?
O nome Estado surge apenas no século XVI, quando Machiavel lhe confere este título em seu clássico “O Príncipe”, entretanto, este sangue suga da humanidade existia em tempos ainda mais arcaicos.
Quando falamos no Estado, sua personificação imediata é pela figura do César romano, do faraó egípcio, do rei cujo latim valia qual lei imediata, ainda que nem sempre escrita, todos estes, sinônimos de tirania e imposição da vontade unitária.

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Músico, Escritor, Anarquista e estudante de Direito (embora seja paradoxal). Um idealista, em busca do compreendimento das cousas mais banais que nos rodeiam.