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26 de outubro de 2012


Era noite de ventania quando ela nasceu, com olhos côr de coqueiro beira-mar, arqueando-se co’a força do ar.
Cresceu n’um mundo cujo espaço já não se dividia, onde tudo se comprava e se vendia. E quando tudo é capital, até o conhecimento ganha preço, n’um absurdo desprezo do que de fato o é.
Comprou bem pouco saber, pagando a varejo, n’um botequim de esquina... Só mais uma mercadoria!
3 de setembro de 2011
Esta foi uma semana simbólica, uma semana para não ser esquecida. Nessa semana assistimos bestializados a consagração do desleixo estatal. Já não mais é possível ocultar o descaso do Estado com seu povo e seu território.
E para quem pensar que me refiro ao Berlusconi, ledo engano, o primeiro ministro italiano foi apenas o porta voz. Aqui, em terras tupiniquins, o descaso do poder Estatal prossegue infinitamente maior e pior que na Itália.
As condições de trabalho estão cada vez mais degradantes em todos os setores. Mais do que nunca em nossa história somos deflagrados por políticas públicas que insistem em diminuir a capacidade dos trabalhadores, amordaçando-lhos.
22 de agosto de 2011
Não me importa que o mundo esteja cego, pois eu continuarei a ver que as desigualdades, e só estas, tornam-no aquilo que é: duro, frio, árido e sem fé.
Não me importa, principalmente, que as pessoas mantenham sua fé, eu continuarei cético na guerra, na fome, na inércia e na autodestruição em nome de Deus. Quem foi que recebeu procuração pra dizer em seu nome?
Não me importa que todos sejam consumistas, porque eu continuarei acreditando em uma sociedade sem capital, onde todos plantam e dividem, onde a fome não tem espaço sequer nos dicionários.
Não importa que democracia vença, pois em minha alma, manterei o signo do douto pincel da anarquia, e nela vencerá a paridade plena entre os seres humanos, sem hierarquias, sem mandamentos... Pleno bom senso!
16 de abril de 2011
Percebi, como se fazia antigamente, antes de medidas absolutas e verdades que nos devem caber, o que de fato é puro e inato da espécie que sou.
Não sei se certo ou errado, apenas constatei, contrariando parcialmente a verdade preestabelecida.
11 de setembro de 2010
As pessoas nunca deveriam nascer, este é o delito mor do ser humano, ou pelo menos não deveriam nascer nestes tempos modernos.
Hoje vivemos a era do politicamente correto, que de correto é só o termo, nos tornamos frios, calados, cínicos, dissimulados. Evitamos termos pelo temor do preconceito, gerando mais do mesmo, pois o fato de utilizar um termo considerado pejorativo poderá ser até mesmo carinhoso. Pior que isso são os atos que cometemos, o cinismo nos corrói!
Vivemos a era do egoísmo, tão forte se faz presente, que nos esquecemos dos demais entes do mundo ao redor. Pensamos demasiadamente no “eu”. “Eu fiz...”; “Eu falei...”; “Eu tenho...”. A maior pena é termos esquecido o único “eu” que realmente importa: “Eu sou”.
4 de fevereiro de 2010
I
Rosa navegante em mares,
cortando o oceano doudo
plano azul - e gaivota em vôo
eu, cá, em alma afouto...

Ontem, o pegureiro vagando
buscando em desvairío a primavera...
Hoje, em face de mundo horrendo
desbarateando frechas, o céu em nov'era.


E tú, oh! Rosa - Não vês o sangue?
acaso o poente doura o trigo?
cerceiam a liberdade - há tempos exaurida,
abraçam fraternamente o amigo!

Viajante estrela que do céu despenca
Diz-lhes da verdade, a luta verdadeira
revela-lhes em face tenebrosa
a luta de uma vida inteira.

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Músico, Escritor, Anarquista e estudante de Direito (embora seja paradoxal). Um idealista, em busca do compreendimento das cousas mais banais que nos rodeiam.