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26 de outubro de 2012


Era noite de ventania quando ela nasceu, com olhos côr de coqueiro beira-mar, arqueando-se co’a força do ar.
Cresceu n’um mundo cujo espaço já não se dividia, onde tudo se comprava e se vendia. E quando tudo é capital, até o conhecimento ganha preço, n’um absurdo desprezo do que de fato o é.
Comprou bem pouco saber, pagando a varejo, n’um botequim de esquina... Só mais uma mercadoria!
12 de julho de 2012
Chamem o hospício... Devo estar mesmo louco...
Apesar de ver o mundo caminhando para um abismo, ainda creio que possa haver um freio que nos faça parar e voltar a um trilho que nos leve a algum jardim para que nos sentemos na grama verde, amigos em volta, uma canção de muito tempo... Cabelo ao vento...
11 de julho de 2012
Pois é, amigo leitor, de repente, nas últimas décadas, começamos a viver a era da hipocrisia politicamente correta. Hipocrisia sim! Tudo, pois, não passa de falácia, palavras mudas que, sem ações no plano concreto, apenas gastam o papel que, como tudo é politicamente correto, deverá ser devidamente reciclado, a custos elevadíssimos que posteriormente serão pagos pelo povo, de alguma forma.


26 de junho de 2012
Não quero mal, que nos machuca antes de atingir aos outros, ferindo-lhos também... Nem bem de todo, para que tornemo-nos frouxos... Quero a humanidade, a inconsistência, a instabilidade, a oscilação entre os extremos num médio que faz-nos o que somos. Medíocres, na melhor representação do termo, haja vista que nada é perfeição, por mais que a inventemos tão próxima. E que bom que assim é, com erros, com falhas, que apenas evidenciam a isonomia natural entre os seres.

19 de novembro de 2011
Era quase uma da manhã quando as sirenes soaram em tom assustador. Mas essa pequena estória havia se iniciado muito tempo antes, no primeiro aniversário de casamento de Guiomar e Joaquim, há vinte anos.
Naquela ocasião, Joaquim trouxera de presente à esposa, que lhe havia presenteado com seu perfume predileto – coisa fina! – um liquidificador.
12 de novembro de 2011
Era uma véspera de Halloween, quase meia-noite, quando na casa da família a menina se pôs a gritar, a produzir um som estridente que a todos fez acordar:
— Papai, mamãe... Um ET – gritava a criança infernal em seu tom.
Os pais correram, afinal, pela frase desconexa e fantasiosa, deveria estar a arder em febre, em pleno delírio.
Mas de fato era, em bem puderam aferir, um extraterrestre, bem apessoado, de vestimenta impecável – um terno de linho do mais puro que há no universo, gravata vermelha e uma côr de pele insuportavelmente verde.
3 de novembro de 2011
É o pulsar d’asas doudas dentro de cada um, que nos faz retirar a viseira que nos é imposta... E n’um ruflar, ao som das penas pairando no ar, avista-se os matizes mais belos que cingem este pobre mundo que está.
Aprendi, com esta palavra tetra consonantal e tetra plural, a me atirar nos abismos da mente, dos cumes da vida sem o temor de me desconstruir. E assim, no vagar em que corre o ponteiro, quero desconstruir mitos, as meias verdades adotadas como inteiras...
3 de setembro de 2011
Esta foi uma semana simbólica, uma semana para não ser esquecida. Nessa semana assistimos bestializados a consagração do desleixo estatal. Já não mais é possível ocultar o descaso do Estado com seu povo e seu território.
E para quem pensar que me refiro ao Berlusconi, ledo engano, o primeiro ministro italiano foi apenas o porta voz. Aqui, em terras tupiniquins, o descaso do poder Estatal prossegue infinitamente maior e pior que na Itália.
As condições de trabalho estão cada vez mais degradantes em todos os setores. Mais do que nunca em nossa história somos deflagrados por políticas públicas que insistem em diminuir a capacidade dos trabalhadores, amordaçando-lhos.
22 de agosto de 2011
Não me importa que o mundo esteja cego, pois eu continuarei a ver que as desigualdades, e só estas, tornam-no aquilo que é: duro, frio, árido e sem fé.
Não me importa, principalmente, que as pessoas mantenham sua fé, eu continuarei cético na guerra, na fome, na inércia e na autodestruição em nome de Deus. Quem foi que recebeu procuração pra dizer em seu nome?
Não me importa que todos sejam consumistas, porque eu continuarei acreditando em uma sociedade sem capital, onde todos plantam e dividem, onde a fome não tem espaço sequer nos dicionários.
Não importa que democracia vença, pois em minha alma, manterei o signo do douto pincel da anarquia, e nela vencerá a paridade plena entre os seres humanos, sem hierarquias, sem mandamentos... Pleno bom senso!
14 de agosto de 2011
São muitas as notícias assustadoras nos últimos dias e esta enxurrada de péssimas novas poderá nos fazer pensar erroneamente que o mundo está de cabeça para baixo. Bobagem! O mundo sequer possui uma cabeça... E já faz tempo!
Os cérebros de todo o mundo oxidaram, entraram em estado putrefato de demência absoluta, vegetam de forma altamente perniciosa.
16 de abril de 2011
Percebi, como se fazia antigamente, antes de medidas absolutas e verdades que nos devem caber, o que de fato é puro e inato da espécie que sou.
Não sei se certo ou errado, apenas constatei, contrariando parcialmente a verdade preestabelecida.
29 de março de 2011
É como um jogo, um brinquedo mental, que do branco papel, bege pergaminho, aos poucos se dá a cor, preenche-se c’oas letras que, sós, são apenas caracteres sem razão e juntas formam palavras ressoando no eco da eterna ilusão!
Apenas palavras, que soltas, nada dizem mais do que a si e, assim, solitárias, egoístas, que soam seu próprio som... Nada são!
Palavras existem em todo canto, é, pois, o invento mor da medíocre humanidade, mas se bem urdidas dão uma liga, formam elos em parágrafos. Parágrafos de palavras feitas de letras que, sem intuito, são só parágrafos de leveza e superficialidade sem um porquê. Dizem nada, gastando o espaço no papel onde poderiam dizer tudo... Ou quase tudo...
25 de fevereiro de 2011
Tive o infortúnio de presenciar um simpósio sobre a política nacional de redução de resíduos sólidos. Sei que é utópico, mas ainda possuo a capacidade de me indignar em face de absurdos.

Vivemos na era aonde defender o meio ambiente é a moda, uma excelente plataforma a seguir para quem almeja algum cargo eletivo, tema perfeito para demonstrar intelectualidade, porém, tudo infinitamente raso.

Não... O tema não é encarado com a seriedade que demanda, e a ridiculez se perpetua no dantesco cenário de destruição.
Lembro-me quando em 2005 realizei uma pesquisa sobre o inventor francês Guy Nègre, e seu magnífico invento: o carro movido a ar-comprimido. Sim, seria uma excelente alternativa ambiental, mas tudo, absolutamente tudo que envolve questões ambientais esbarra n’uma enorme barreira: não é nem um pouco interessante para os sheiks do petróleo, pois inventos como esse mexem diretamente no bolso de gigantes da economia mundial.
28 de dezembro de 2010
Mais uma vez dezembro, tempo do cinismo imperante e de plena atividade da mais calhorda corrupção mental, espécie rara de lavagem cerebral, promovida anualmente pelas mais diversas seitas religiosas cristãs e, acima de qualquer cousa, pelo capitalismo, o verme que corrói as cernes frias desse ocidente putrefato.
É o período da celebração da mentira, dos brindes a falsidade humana, da crença desesperada em algum ser superior que recompense os bons e dilacere os maus, a fé na existência de um novo tempo de paz e de felicidade.
11 de agosto de 2010
E eis que um dia nasceu o Tempo, aquém do próprio tempo que se faz em mente, não um Khronos mitificado, nem se sabe ao certo o que era, mas dividia as eras, não a Hera, do panteão, nem mesmo os séculos, talvez estes nem existissem, eram apenas fragmentos, grãos de areia cinzentos, pedaços de uma recordação.
E tanto esforço vão, tantos ecos e vácuos, tamanha sua solidão! E se desdobrou tanto, viveu de riso e de pranto, em sua soberba inebriado, já pálido, tíbio, cansado, renasceu de si mesmo em Espaço. Não o espaço comensurável, medida de distância, ou par, era apenas espaço.
Eram, com efeito, dois díspares, duas faíscas de um mesmo fogo, mesma alma perdida, vagando loua em tempo de tempo algum, em espaço de espaço nenhum.
24 de março de 2010
Há dias que não basta a lembrança, são nestes dias que percebemos o quão o passado é importante para o futuro.
Existem horas que ninguém pode entender o conteúdo do ser, pois o nosso ser é tão complexo que nem mesmo nós mesmos o compreendemos.
Há dias que bastaria a chuva molhando continuamente o chão, e são nestes dias que compreendemos a temporada das flores, mas não basta a lembrança e a chuva molhando o chão, são muitos os caminho, mas apenas um é o seu. Na plataforma da vida é quase impossível saber qual é o trem da sua vida.
Luz de Luar...Candeia acesa, já é madrugada alta, o frio da gélida noite de inverno é insuportável.
Enrolado a um cobertor, tentando inutilmente se proteger da noite ingrata.
O silêncio da noite o faz pensar na vida, cada instante que passou. Pela janela de vidro percebe-se a geada na fonte de água, que outrora era cheia de vida.
Não se vê mais um verde de esperança, nem o azul marinho do céu.

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Músico, Escritor, Anarquista e estudante de Direito (embora seja paradoxal). Um idealista, em busca do compreendimento das cousas mais banais que nos rodeiam.